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Alquimia - Tempos Modernos (2/6)

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Enviado por rwdl em ter, 2001-06-05 10:00

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Apesar de os ideais alquímicos terem sido explorados através de todo o século 18, durante o século 19, o novo enfoque dado as ciências como física, química, biologia, etc., fez com que a alquimia fosse marginalizada e considerada irrelevante diante do novo conceito de ciência que emergia. Isso pode ser comprovado pelo fato de que não existem novos trabalhos alquímicos publicados no século 19. A alquimia teve de esperar até o século 20 para novamente ser vista como uma ciência digna de estudo e investigação.

No final do século 19, em parte por uma reação contra uma ciência que buscava reduzir tudo a puramente processos físico-químicos, renasceu o interesse nas ciências ocultas, principalmente na França. Neste momento, um número considerável de pessoas começaram a coletar textos alquímicos e iniciar experimentos com a alquimia. Um dos primeiros a iniciar a prática da ciência alquímica nesta época foi W. A. Ayton.

Durante o início do século 20 o fenômeno recentemente descoberto da radioatividade e as experiências de Rutherford na transformação atômica, fez com que um certo número de pessoas tentasse redescobrir as bases científicas da transmutação alquímica, contudo, tudo foi infrutífero. Em 1926, um livro entitulado "Os mistérios das Catedrais" foi publicado em Paris, supostamente por um adepto chamado Fulcanelli. Uma vez que este livro apresentava uma interpretação alquímica dos monumentos esculpidos nas catedrais góticas e construções anteriores (assim como fez Fulcanelli em seu trabalho anterior "As Mansões Filosofais"), vários mitos a respeito de Fulcanelli começaram a circular dizendo que ele praticava a alquimia e conhecia os segredos da transmutação.

Muitos destes mitos também foram dirigidos a Eugene Canseliet, que escreveu vários livros, praticou alquimia e organizou um pequeno número de estudantes.

Na década de 1930, um fisioterapeuta chamado Archibald Cockren montou um laboratório alquímico em Londres e começou a produzir óleos metálicos, os  quais ele utilizava como substâncias medicinais.

Cockren extraiu a maior parte de seus conhecimentos dos trabalhos de um adepto inglês do século 15 chamado George Ripley, assim como de Basil Valentine e Ramon Lull. Ele escreveu muito abertamente sobre seu trabalho em "A Alquimia Redescoberta e Restaurada" (1940). Embora ele tenha, indubitavelmente, procurado pela Pedra Filosofal, Cockren usou a alquimia principalmente para produzir remédios. Morreu durante a segunda grande guerra quando uma bomba atingiu seu laboratório.

Na França, Armand Barbault começou em 1948 a retrabalhar um processo descrito no trabalho do século 17, Mutus Liber, publicado em La Rochelle em 1677. Este processo envolvia a saturação de matéria vegetal com orvalho e uma seqüência cíclica e complexa de destilações. Barbault escreveu abertamente sobre este processo em seu "Ouro de Mil Manhãs", publicado pela primeira vez em francês em 1969. Seu alvo era produzir medicamentos ao invés de transmutações.

Durante a década de 60, Roger Caro publicou uma série de livros denominados "Pleiade Alchimique" e "Concordances Alchimiques", bem como seqüências fotográficas mostrando a evolução dos processos alquímicos e sua seqüência com as mudanças de cores.

A mais importante figura da Alquimia Prática do século 20 foi, sem dúvida, Albert Riedel. Em 1960 ele publicou "The Alchemist's Handbook - Manual for Practical Laboratory Alchemy", um completo manual para a prática da alquimia em laboratório. Em Salt Lake City (EUA) ele fundou um centro para a Sociedade de Pesquisas Paracelsus e começou a dar aulas de Alquimia Prática. Ele criou um processo para a preparação espagírica de substâncias a partir de matérias vegetais, ervas, etc., usando modernos aparelhos químicos e avançadas técnicas de laboratório. Estas séries de lições foram muito bem freqüentadas e ele teve centenas de alunos e membros em seu grupo. Mais tarde, ele criou outros centros na Alemanha e Austrália (este último ainda em funcionamento) trabalhando dentro de seus ideais e propósitos. O objetivo do trabalho de Frater Albertus era a preparação de medicamentos, ou qualquer preparação alquímica em que se pudesse preservar a saúde. As principais técnicas para a preparação espagírica de uma substância era separar por aquecimento, o sal, enxofre e mercúrio (em seu sentido simbólico) de uma substância e então reuni-los novamente a fim de torná-los um poderoso medicamento. Seu trabalho continua a inspirar pessoas a praticar suas técnicas espagíricas.

 

 Referência: "The Alchemical web site and virtual library" (www.levity.com/alchemy/)

 Adaptado e traduzido do inglês por
Ds. Richard WAN DECK ET LIÈVRE, i.p.s.
Mestre Pontifical do Templo

 

Nota: Os termos templários deste comunicado foram atualizados segundo as práticas correntes da Ordem em Janeiro de 2017.